sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Os Filosofos e a Filosofia




Filósofos diferentes têm posturas diversas com relação a esta imagem institucional de sabedoria e compreensão. O filósofo que descrevi até agora leva muito a sério o seu papel de guardião da tradição: para ele a possibilidade e a alternativa são um risco perigoso, do qual deve se proteger, e suas "demonstrações" têm exatamente o objetivo de afastar do público ignorante o espectro da catástrofe. Mas há, ainda, o filósofo que tem simpatia pelas alternativas, que, na verdade, está convencido de que uma certa alternativa (um tipo de sociedade, ou organização econômica, ou legal, ou uma determinada prática científica) seja muito melhor que a realidade atual: este se dedicará com fervor missionário a fazer propaganda da sua alternativa preferida e a convencer o mundo de seu trágico erro. E, por fim, há o filósofo mais desencantado (ou mais cínico) que se rebela contra a imagem institucional, pelo menos no nível do discurso, e que, portanto, mais naturalmente se escuda atrás de outros tipos sociais: o escritor, o esteta, o provocador. Este não crê saber como estão as coisas ou como deveriam estar, não tem sabedoria à venda mas, no entanto, continua a criticar toda a (presumível) sabedoria existente, a revelar-lhe a ausência de fundamentos, não porque tenha algo melhor fundamentado a oferecer, mas porque a sua tarefa, ou paixão ou destino, é o de revelar a falta de fundamento de cada crença, de cada prática, obrigar as pessoas a defrontar-se com os vários modos de ser do mundo. Aristóteles e Kant eram filósofos do primeiro tipo; Platão e Marx, do segundo; Sócrates e Nietzsche, do terceiro. E todos, embora com motivações diferentes, deram a sua importante contribuição para o alargamento das fronteiras do possível que constituía o seu verdadeiro objetivo. 
(Texto de Ermano Bemcivenga, Giochiamo com la filosofia. Milão: Amoldo Mondadori, 1990.). 

O que é filosofia?


“{...) O problema crucial é o seguinte: a filosofia aspira à verdade total, que o mundo não quer. A filosofia é, portanto, perturbadora da paz.  
E a verdade o que será? A filosofia busca a verdade nas múltiplas significações do ser-verdadeiro segundo os modos do abrangente. Busca, mas não possui o significado e substância da verdade única. Para nós. a verdade não é estática e definitiva, mas movimento incessante, que penetra no infinito.
No mundo, a verdade está em conflito perpétuo. A filosofia leva esse conflito ao extremo, porém o despe de violência. Em suas relações com tudo quanto existe, o filósofo vê a verdade revelar-se a seus olhos, graças ao intercâmbio com outros pensadores e ao processo que o torna transparente a si mesmo.
Quem se dedica à filosofia põe-se à procura do homem, escuta o que ele diz, observa o que ele faz e se interessa por sua palavra e ação, desejoso de partilhar, com seus concidadãos, do destino comum da humanidade.
Eis por que a filosofia não se transforma em credo. Está em contínua pugna consigo mesma”.
(JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo, Cultrix, 1971. p. 138.).

O que é filosofia?



A filosofia é um modo de pensar, é uma postura diante do mundo. A filo­sofia não é um conjunto de conheci­mentos prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmo. Ela é, antes de mais nada, uma prática de vida que procura pensar os acontecimentos além da sua pura aparência. Assim, ela po­de se voltar para qualquer objeto. Po­de pensar a ciência, seus valores, seus métodos, seus mitos; pode pensar a re­ligião; pode pensar a arte; pode pen­sar o próprio homem em sua vida coti­diana. Uma história em quadrinhos ou uma canção popular podem ser objeto da reflexão filosófica.
A filosofia é um jogo irreverente que parte do que existe, critica, coloca em dúvida, faz perguntas importunas, abre a porta das possibilidades, faz-nos en­trever outros mundos e outros modos de compreender a vida.
A filosofia incomoda porque questio­na o modo de ser das pessoas, das cul­turas, do mundo. Questiona as práti­cas política, científica, técnica, ética, econômica, cultural e artística. Não há área onde ela não se meta, não inda­gue, não perturbe. E, nesse sentido, a filosofia é perigosa, subversiva, pois vi­ra a ordem estabelecida de cabeça para baixo.
Podemos, agora, perceber a razão da condenação de Sócrates na Antigüida­de ou da proibição da leitura de Karl Marx no Brasil pós-64. Ambos foram (e são, ainda) subversivos, perigosos, pois, ao indagar sobre a realidade de sua época, fizeram surgir novas possi­bilidades de comportamento e de rela­ção social. Do ponto de vista do poder estabelecido, mereceram a morte e/ou o banimento de suas obras.
O pensamento filosófico
Quando a filosofia surge, entre os gregos, no século VI a.C, ela engloba tanto a indagação filosófica propria­mente dita quanto o que hoje chama­mos de conhecimento científico. O fi­lósofo teorizava sobre todos os assun­tos, procurando responder não só ao porquê das coisas, mas, também, ao co­mo, ou seja, ao funcionamento. É por isso que Euclides, Tales e Pitágoras são filósofos e dedicam-se também ao es­tudo da geometria. Aristóteles, por sua vez, debruça-se sobre problemas físicos e astronômicos, na medida em que es­ses problemas interessam à cultura e à sociedade de sua época.
É só a partir do século XVII, com Galileu e o aperfeiçoamento do método científico (ver Cap. 7), fundado na ob­servação, experimentação e matematização dos resultados, que a ciência co­meça a se constituir como forma espe­cífica de abordagem do real e a se des­tacar da filosofia. Aparecem, pouco a pouco, as ciências particulares, que in­vestigam a realidade sob pontos de vis­ta específicos: à física interessam os mo­vimentos dos corpos; à biologia, a na­tureza dos seres vivos; à química, as transformações das substâncias; à as­tronomia, os corpos celestes; à psico­logia, os mecanismos do funcionamen­to da mente humana; à sociologia, a or­ganização social etc.
O conhecimento é fragmentado en­tre as várias ciências, pois cada uma se ocupa somente de uma pequena parte do real. As afirmações de cada uma de­las são chamadas juízos de realidade, uma vez que se referem aos fenômenos e pretendem mostrar como estes ocor­rem e como se relacionam com outros fenômenos. De posse desses dados so­bre o funcionamento dos fenômenos naturais e humanos, torna-se possível prevê-los e controlá-los.
A filosofia trata dessa mesma reali­dade, mas, em vez de fragmentá-la em conhecimentos particulares, toma-a co­mo totalidade de fenômenos, ou seja, considera a realidade a partir de uma visão de conjunto. Qualquer que seja o problema, a reflexão filosófica consi­dera cada um de seus aspectos, relacionando-o ao contexto dentro do qual ele se insere e restabelecendo a in­tegridade do universo humano. Do ponto de vista filosófico, por exemplo, é impossível considerar a inflação bra­sileira somente a partir de princípios econômicos. É preciso relacioná-la com interesses de classes, interesses políti­cos, interesses sociais. Um país econo­micamente instável é um país política e socialmente instável. À ciência econô­mica interessa somente verificar como a inflação funciona para poder controlá-la, sem se incomodar com os reflexos que esse controle possa ter sobre a sociedade.
É por isso que, sem desmerecer o co­nhecimento especializado buscado pe­las várias ciências, defendemos a neces­sidade da reflexão filosófica, reflexão es­ta que faz a crítica dos fundamentos de conhecimento e da ação humanos. Ca­be ao filósofo refletir sobre o que é ciên­cia, o que é método científico, sua vali­dade e limites. A ciência é realmente um conhecimento objetivo? O que é a objetividade e até que ponto um sujei­to histórico — o cientista — pode ser ob­jetivo? Cabe ao filósofo, também, refle­tir sobre a condição humana atual: o que é o homem? o que é liberdade? o que é trabalho? quais as relações entre homem e trabalho? etc. Nem mesmo a escola foge ao crivo da reflexão filosó­fica: para que exista, é necessário que partamos de uma visão de homem co­mo ser incompleto, portanto educável. Para sobreviver, os animais não preci­sam ser educados, pois guiam-se pelos instintos. Só os "educamos", isto é, domesticamos, para acomodá-los às nos­sas necessidades humanas. O caso dos homens é diferente. Mas para que o ser humano é educado? Para o pleno exer­cício da liberdade e da responsabilida­de ou só para se manter dentro da or­dem estabelecida? Em outras palavras, educamos para que cada homem saiba pensar por si próprio ou para que sai­ba aceitar as regras que outros pensa­ram para ele?
A filosofia quer encontrar o signifi­cado mais profundo dos fenômenos. Não basta saber como funcionam, mas o que significam na ordem geral do mundo humano. A filosofia emite juí­zos de valor ao julgar cada fato, cada ação em relação ao todo. A filosofia vai além daquilo que é, para propor como poderia ser. É, portanto, indispensável para a vida de todos nós, que deseja­mos ser seres humanos completos, ci­dadãos livres e responsáveis por nos­sas escolhas.
Assim, o filosofar é uma prática que parte da teoria e resulta em outras teorias.
Características do pensamento filosófico
O trabalho do filósofo é refletir so­bre a realidade, qualquer que seja ela, descobrindo seus significados mais profundos.
Como isso é feito?
Em primeiro lugar, vamos estabele­cer o que é a reflexão. Refletir é pen­sar, considerar cuidadosamente o que já foi pensado. Como um espelho que reflete a nossa imagem, a reflexão do filósofo deixa ver, revela, mostra, tra­duz os valores envolvidos nos aconte­cimentos e nas ações humanas.
Para chegar a essa revelação, a refle­xão filosófica, segundo Demerval Saviani, deve ser:
Radical — ou seja, chegar até a raiz dos acontecimentos, isto é, aos seus fundamentos; à sua origem, não só cro­nológica, mas no sentido de chegar aos valores originais que possibilitaram o fato. A reflexão filosófica, portanto, é uma reflexão em profundidade.
Rigorosa — isto é, seguir um mé­todo adequado ao objeto em estudo, com todo o rigor, colocando em ques­tão as respostas mais superficiais, co­muns à sabedoria popular e a algumas generalizações científicas apressadas.
De conjunto — como já foi dito an­teriormente, a filosofia não considera os problemas isoladamente, mas dentro de um conjunto de fatos, fatores e va­lores que estão relacionados entre si. A reflexão filosófica contextualiza os pro­blemas tanto verticalmente, dentro do desenvolvimento histórico, quanto ho­rizontalmente, relacionando-os a outros aspectos da situação da época.
Assim, embora os sistemas filosófi­cos possam chegar a conclusões diver­sas, dependendo das premissas de par­tida e da situação histórica dos próprios pensadores, o processo do filosofar será sempre marcado por essas característi­cas, resultando em uma reflexão rigo­rosa, radical e de conjunto.
 ( Texto do Livro Temas de Filosofia de  MARIA LÚCIA DE ARRUDA ARANHA)

INTRODUÇÃO À FILOSOFIA



A palavra grega ‘philósophos’ foi formada em oposição a ‘sophós’ e significa “o que ama o saber”, em contraposição a ao possuidor de conhecimentos  (dono da verdade) que se designava por sábio. Este sentido da palavra manteve-se até hoje: é a demanda da verdade e não a sua posse que constitui a essência da filosofia...[1]
                                                                                                     
“...não se pode pensar em nenhum homem que não seja também filósofo, que não pense, precisamente porque pensar é próprio do homem como tal”.
Gramsci

“A Filosofia não é mera especulação no vácuo ou simples jogo de conceitos abstratos. É trabalho sobre a experiência real e cumpre levar a cabo sem perder esse sentido concreto”.
João Cruz Costa In Filosofando de Maria Lúcia de Arruda Aranha

“A Verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo”.
Merleau-Ponty

1.      O que é filosofia? Para que filosofar?

         Sabe-se que o estudo da filosofia tem como objetivo despertar no estudante tanto a percepção, como a capacidade reflexiva e crítica da realidade, fundamentadas no pensamento filosófico e norteadas por princípios e valores éticos, a fim de proporcionar uma maior compreensão do mundo e propiciar escolhas conscientes, tornando-o consciente de sua importância como indivíduo e cidadão, mas o que exatamente o que é a filosofia? Podemos dizer que a filosofia é um modo de pensar que acompanha o homem em sua tarefa de compreender o mundo e agir sobre ele ou que “a filosofia é uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto sobre os problemas que a realidade apresenta”[2].
A Filosofia é uma decisão de não aceitar como naturais e evidentes as idéias, os
fatos, as situações e os valores do cotidiano. Ela parte do desejo de conhecer a realidade, ir além das aparências. Trata-se de pensar melhor a realidade, conhecer a realidade para agir melhor. A Filosofia proporciona, portanto, a aproximação entre o homem e a realidade. A atividade filosófica é fundamentada na análise, reflexão e crítica da realidade e dos seres humanos, de como se pensa, fala e age. Conhecer os temas, as idéias, os conceitos e a história da Filosofia amplia a nossa experiência de compreensão do mundo e nos permite ser donos de nosso próprio pensar, falar e agir.
O pensamento filosófico aproxima o homem do mundo, proporciona uma maior
compreensão da realidade e a descoberta de novos significados para a existência, tornando o ser humano capaz de ajustar suas escolhas e ações no convívio com o outro, com o mundo e em sua experiência profissional.
A Filosofia está presente em nosso dia-a-dia. Como nos esclarece Jasper,  “a filosofia é imprescindível ao homem. Está sempre presente e manifesta nos provérbios tradicionais, em máximas filosóficas correntes, em condições dominantes, quais sejam, por exemplo, a linguagem e as crenças políticas”[3].
Nesse sentido, podemos afirmar que são tarefas da Filosofia:
- desenvolver os pré-conceitos, torná-los conceitos elaborados e amplos.
- desenvolver a capacidade de pensar.
- desenvolver a capacidade de agir melhor, de formar valores e tornar
assim o homem mais livre.
           
 Referências bibliográficas:
JASPERS, Karl. Iniciação filosófica. Lisboa: Guimarães, 1977.
SAVIANI, Dermeval. Educação; do senso comum  à  consciência filosófica. São Paulo: Cortez, 1980.



[1] JASPERS, Karl. Iniciação filosófica. Lisboa: Guimarães, 1977, p.14.
[2] SAVIANI, Dermeval. Educação; do senso comum  à  consciência filosófica. São Paulo: Cortez, 1980, p. 27.
[3] JASPERS, Karl. Iniciação filosófica. Lisboa: Guimarães, 1977, p.13.

Introdução à Filosofia


Sobre o termo filosofia
Este termo filosofia é grego, sendo composto por duas outros: philo sophia.
Philo deriva-se de philia, que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais.
            Sophia quer dizer sabedoria e dela vem a palavrasophos, sábio.
Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, bem como amor e respeito pelo saber.
Filósofo: o que ama a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber.
Tal termo indica, portanto, um estado de espírito, o da pessoa que ama, isto é, daquela que deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita. Atribui-se ao filósofo grego Pitágoras de Samos (que viveu no século V antes de Cristo) a invenção da palavra filosofia. Pitágoras teria afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos.
Dizia Pitágoras que três tipos de pessoas compareciam aos jogos olímpicos (a festa mais importante da Grécia): as que iam para comerciar durante os jogos, ali estando apenas para servir aos seus próprios interesses e sem preocupação com as disputas e os torneios; as que iam para competir, isto é, os atletas e artistas (pois, durante os jogos também havia competições artísticas: dança, poesia, música, teatro); e as que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Esse terceiro tipo de pessoa, dizia Pitágoras, é como o filósofo.
Com isso, Pitágoras queria dizer que o filósofo não é movido por interesses comerciais - não coloca o saber como propriedade sua, como uma coisa para ser comprada e vendida no mercado; também não é movido pelo desejo de competir - não faz das idéias e dos conhecimentos uma habilidade para vencer competidores ou “atletas intelectuais”; mas é movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar as coisas, as ações, a vida: em resumo, pelo desejo de saber. A verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e que está diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos olhos (do espírito) para vê -la.
       A Filosofia é grega
A Filosofia, entendida como aspiração ao conhecimento racional, lógico e sistemático da realidade natural e humana, da origem e causas do mundo e de suas transformações, da origem e causas das ações humanas e do próprio pensamento, é um fato tipicamente grego.
Evidentemente, isso não quer dizer, de modo algum, que outros povos, tão antigos quanto os gregos, como os chineses, os hindus, os japoneses, os árabes, os persas, os hebreus, os africanos ou os índios da América não possuam sabedoria, pois possuíam e possuem. Também não quer dizer que todos esses povos não tivessem desenvolvido o pensamento e formas de conhecimento da
Natureza e dos seres humanos, pois desenvolveram e desenvolvem. Quando se diz que a Filosofia é um fato grego, o que se quer dizer é que ela possui certas características, apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos, estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade, o pensamento, a ação, as técnicas, que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos e outras culturas.

Principais características da Filosofia nascente
O pensamento filosófico em seu nascimento tinha como traços principais:
·         Tendência à racionalidade, isto é, a razão e somente a razão, com seus princípios e regras, é o critério da explicação de alguma coisa;
·         Tendência a oferecer respostas conclusivas para os problemas, isto é, colocado um problema, sua solução é submetida à análise, à crítica, à discussão e à demonstração, nunca sendo aceita como uma verdade, se não for provado racionalmente que é verdadeira;
·         Exigência de que o pensamento apresente suas regras de funcionamento, isto é, o filósofo é aquele que justifica suas idéias provando que segue regras universais do pensamento. Para os gregos, é uma lei universal do pensamento que a contradição indica erro ou falsidade. Uma contradição acontece quando afirmo e nego a mesma coisa sobre uma mesma coisa (por exemplo: “Pedro é um menino e não um menino”, “A noite é escura e clara”, “O infinito não tem limites e é limitado”). Assim, quando uma contradição aparecer numa exposição filosófica, ela deve ser considerada falsa;
·         Recusa de explicações preestabelecidas e, portanto, exigência de que, para cada problema, seja investigada e encontrada a solução própria exigida por ele;
·         Tendência à generalização, isto é, mostrar que uma explicação tem validade para muitas coisas diferentes porque, sob a variação percebida pelos órgãos de nossos sentidos, o pensamento descobre semelhanças e identidades.

Sobre o Mito e Filosofia

O homem pode ser identificado e caracterizado como um ser que pensa e cria explicações. Criando explicações, cria pensamentos. Na criação do pensamento, estão presentes tanto o mito como a racionalidade, ou seja, a base mitológica, enquanto pensamento por figuras, e a base racional, enquanto pensamento por conceitos. Esses elementos são constituintes do processo de formação do conhecimento filosófico. Este fato não pode deixar de ser considerado, pois é a partir dele que o homem desenvolve suas idéias, cria sistemas, elabora leis, códigos, práticas.
Compreender que o surgimento do pensamento racional, conceitual, os gregos, foi decisivo no desenvolvimento da cultura da civilização ocidental é condição para que se entenda a conquista da autonomia da razão (lógos) diante do mito. Isso marca o advento de uma etapa fundamental na história do pensamento e do desenvolvimento de todas as concepções científicas produzidas ao longo da história humana.
O conhecimento de como isso se deu e quais foram as condições que permitiram a passagem do mito à filosofia elucidam uma das questões fundamentais para a compreensão das grandes linhas de pensamento que dominam todas as nossas tradições culturais. Deste modo, é de fundamental importância que o estudante do Ensino Médio conheça o contexto histórico e político do surgimento da filosofia e o que ela significou para a cultura. Esta passagem do pensamento mítico ao pensamento racional no contexto grego é importante para que o estudante perceba que os mesmos conflitos entre mito e razão, vividos pelos gregos, são problemas presentes, ainda hoje, em nossa sociedade, na qual a própria ciência depara-se com o elemento da crença mitológica ao apresentar-se como neutra, escondendo interesses políticos ou econômicos em sua roupagem sistemática, por exemplo.

Mito e Filosofia:
 Trata do problema da ordem e da desordem no mundo. O homem, ao procurar a ordem do mundo, cria tanto o mito como a filosofia. Muitos povos da Antiguidade experimentaram o mito, que é um pensamento por imagens. Os gregos também fizeram a experiência de ordenar o mundo por meio do Mito. Estes perceberam que o Mito era um jeito de ordenar o mundo. A experiência política grega, ao longo dos anos, trouxe a possibilidade do pensamento como logos (razão), pois a vida na pólis impôs exigências que o mito já não satisfazia. Mas será que com a filosofia o mito desaparece? Será que em nossa sociedade ainda nos orientamos pelo pensamento mítico?

Características do pensamento filosófico
O trabalho do filósofo é refletir sobre a realidade, qualquer que seja ela, descobrindo seus significados mais profundos.

Como isso é feito?
Em primeiro lugar, vamos estabelecer o que é a reflexão. Refletir é pensar, considerar cuidadosamente o que já foi pensado. Como um espelho que reflete a nossa imagem, a reflexão do filósofo deixa ver, revela, mostra, traduz os valores envolvidos nos acontecimentos e nas ações humanas.
Para chegar a essa revelação, a reflexão filosófica, segundo Demerval Saviani, deve ser:
• Radical — ou seja, chegar até a raiz dos acontecimentos, isto é, aos seus fundamentos; à sua origem, não só cronológica, mas no sentido de chegar aos valores originais que possibilitaram o fato. A reflexão filosófica, portanto, é uma reflexão em profundidade.
• Rigorosa — isto é, seguir um método adequado ao objeto em estudo, com todo o rigor, colocando em questão as respostas mais superficiais, comuns à sabedoria popular e a algumas generalizações científicas apressadas.
• De conjunto — como já foi dito anteriormente, a filosofia não considera os problemas isoladamente, mas dentro de um conjunto de fatos, fatores e valores que estão relacionados entre si. A reflexão filosófica contextualiza os problemas tanto verticalmente, dentro do desenvolvimento histórico, quanto horizontalmente, relacionando-os a outros aspectos da situação da época.
Assim, embora os sistemas filosóficos possam chegar a conclusões diversas, dependendo das premissas de partida e da situação histórica dos próprios pensadores, o processo do filosofar será sempre marcado por essas características, resultando em uma reflexão rigorosa, radical e de conjunto.
(Texto do Livro Temas de Filosofia de  MARIA LÚCIA DE ARRUDA ARANHA)

Breve Glossário para a Filosofia


Alguns termos e expressões do vocabulário político grego:

Ágora: lugar de reunião; praça pública; espaço onde aconteciam assembleias populares. Em Atenas
era também o espaço onde estavam localizadas as instituições políticas.

Aristocracia: governo dos melhores, dos excelentes (aristoi).

Demos: o povo; mais tarde recebe o sentido do conjunto dos cidadãos. Originalmente significava os
territórios habitados pelos pobres.

Democracia: regime no qual o poder pertence ao povo (demos).

Dokimasia: espécie de exame ao qual eram submetidos os pleiteantes a cargos e encargos públicos,
que consistia em verificar, não as competências técnicas, mas as virtudes cívicas do candidato.

Ekklesia: assembléia popular.

Isègoria: igualdade de direito à palavra pública, à palavra política; direito de falar nas assembleias.

Isonomia: igualdade de direitos perante a lei.

Koinonia tôn politon: comunidade de cidadãos.

Meteco: estrangeiro residente.

Monarquia: governo de um só (monas).

Oligarquia: regime no qual a soberania pertence a alguns (oligos) grupos.

Pólis: cidade; comunidade política.

Politeia: regime de governo; as instituições públicas.

Ta politika: política.

Zoon politikon: expressão utilizada por Aristóteles, que define o homem como animal político.

Fontes: Diversos, em especial, a obra Filosofia de vários autores publicada pela SEED-PR em 2006.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Em breve

Estudantes de Filosofia Social e de Filosofia da Comunicação em breve este blog estará a disposição. Data prevista: 01 de Janeiro de 2013.